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Sera Gamble fala sobre escrever ‘YOU’ na era do #MeToo

Sera Gamble falou com a Variety ontem no TCA e deu mais informações sobre a adaptação de ‘YOU‘ e como a série reflete a era de movimentos como #MeToo e #TimesUP. Leia:

Sera Gamble e  Greg Berlanti desenvolveram ‘YOU’, a adaptação de uma hora do livro de Caroline Kepnes, muito antes dos movimentos #MeToo e #TimesUp atingiram novas plataformas.  Mas a série – centrada em Joe (Penn Badgley), cuja obsessão por uma jovem chamda Beck (Elizabeth Lail) vira um conto de stalker – parece bem mais atual do que Gamble poderia ter previsto.

“Todos conheciam esse material edgy, obscuro e adulto – que o protagonista da série faria algumas coisas doidas,” Gamble diz a Variety. “Tem sido interessante ver isso se tornar um assunto público.”

No piloto, Beck está lidando com um professor que é “inapropriado com ela”, diz Gamble. Uma vez que ela é a assistente de seus professores, ele é capaz de controlar muito sobre sua vida – incluindo a situação de sua habitação estudantil e seus meios de subsistência. É uma situação que Gamble diz que é diferente de muitas das histórias faladas sobre mulheres se sentiram presas devido ao abuso de poder dos homens.

“Parece particularmente oportuno, como as pessoas vão pensar que o escrevemos por causa de todas as coisas nas notícias”, diz Gamble. “Mas escrevi essa isso há três anos com Greg Berlanti, e eu fui a faculdade há muito mais tempo do que isso. Era verdade quando eu estava na faculdade, era verdade quando minha mãe estava na faculdade, e agora espero que não seja verdade quando minha afilhada estiver na faculdade “.

“YOU” segue bastante o livro, o que inclui entrar na mente de Joe através da narração que revela contradições ao que ele realmente está falando às pessoas ao seu redor. “Uma das coisas que penso muito é exatamente como as pessoas interagem uns com os outros. Todos nós temos uma faceta que estamos mostrando um ao outro, e às vezes isso é mais consciente do que outros, mas isso me fascina como você pode estar realmente errado em relação a alguém “, diz Gamble. “Há algo intensamente encantador, evocativo e sedutor sobre estar tão profundamente dentro dos pensamentos mais honestos de alguém. Mesmo quando estão crus e mesmo quando são obscuros, nem todos são impossíveis de se relacionar “.

Isso significa que os espectadores ouvirão quando Beck aparecer pela primeira vez através do olhar de Joe.

“Você vê essa mulher muito atraente e difícil de ler entrar na livraria, e ele está tipo o Sherlock Holmes para cima dela, dizendo ‘eu acho que você está usando pulseiras porque gosta de um pouco de atenção’ e ‘eu acho que você está usando a camisa um pouco larga porque você não quer muita atenção’ e ‘estou tão interessado nos livros que está lendo, e é por isso que acho que esse é o livro que deseja’, diz Gamble. “Parte de nós já está pensando: “Como você sabe, Joe? “E então eu acho que outra parte de nós está pensando: ‘Oh, eu já fiz isso antes'”.

Mesmo que mostrar dentro da mente de Joe deixe o público com seu ponto de vista, Gamble revela que eles quebram esse ponto de vista no início da primeira temporada porque os produtores sentiram que estariam fazendo um desserviço a Beck “se não a deixássemos pegar o volante “, diz ela.

À medida que a história continua, o comportamento de Joe passar de só vê-la na loja a persegui-la nas mídias sociais e depois fisicamente. Embora Gamble admita que esses comportamentos podem tornar as pessoas “completamente loucas e repelidas”, ela acredita no final da temporada, a audiência vai entender de onde ele vem e por que ele se comporta do jeito que ele faz. E ela não está preocupada com o fato de que o clima atual tornará os personagens como Joe muito desagradáveis para o público. Afinal, ela observa que Joe não está fazendo coisas ruins porque gosta delas.

“Uma coisa que ficou muito, muito claro é que Joe Goldberg não é Dexter. Ele é o oposto do assassino psicopata de sangue frio. Ele é um romântico, ele é pensativo, ele é mesmo um pouco tímido, e ele é genuinamente sensível e emocional “, diz Gamble. “Ele tem um relacionamento na série com um jovem de cerca de 12 anos de idade que vive em seu prédio, e você vê muito sobre como Joe chegou a ser como é pela forma que ajuda esse menino. É claro que ele não é alguém que gosta do sabor do sangue. Ele é sempre introspectivo, mas a necessidade de amar e ser amado e a necessidade de ver e ser visto é muito forte dentro dele”.

Dito isso, Gamble admite que “YOU” é, em última instância, uma “história de amor com reviravolta”.

“O amor é o que nos faz fazer as maiores doideiras das nossas vidas”, diz ela. “Praticamente a primeira coisa que todos fizemos quando entramos na sala dos roteiristas foi contar histórias sobre momentos em nossas vidas, quando o amor pareceu como se estivesse nos transformando em alguém que mal reconhecemos. E quase todos os que você conversa terão uma dessas histórias, e todos os meus filmes favoritos são essas histórias – são apenas aquelas histórias com uma bela trilha sonora indie rock e ela beija de volta no final e tudo está bem, mas se você colocar uma trilha sonora de filme de terror por baixo disso, você pensa, ‘Por que ele está lá fora com uma caixa de som? Ela disse não. Ele está na sua janela!” Há uma diferença tão grande entre viver adequadamente na vida real, tendo consentimento a cada passo e as histórias de amor que crescemos admirando e desejando para nós mesmos”.

ViaTradução e adaptação por Elisa – Equipe ELBR;

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